Quinta-feira, Julho 09, 2009

Despedidas e balanços em Benavente

Chegou hoje ao fim a formação sobre Leitura para professores que estive a orientar em Benavente, nas últimas sete semanas. Como sempre acontece nestas alturas, o meu coração aperta-se um bocadinho por me separar de pessoas com quem partilho experiências durante tanto tempo. O grupo era muito bom, desinibido, entusiasta, emotivo. No final ,todas as formandas (o único formando abandonou-nos há duas semanas para ser operado aos adenóides) comunicavam alegremente, descobriam laços, contavam episódios do seu quotidiano docente.
O que mais gosto nas formações é a troca de experiências. Apesar de ser eu quem tem a obrigação de sugerir estratégias e de propor soluções, há sempre quem apresente já dinâmicas de grupo e actividades muito originais. Esse diálogo fortalece mais a aquisição de conhecimentos do que a simples exposição. Até ao fim-de-semana todas terão de me enviar o seu portfólio, onde constará um plano de unidade com objectivos específicos e respectivas actividades, quer no âmbito da leitura recreativa, quer no âmbito do treino de leitura. Mais do que a avaliação, a minha curiosidade reside nas ideias que cada uma transporá para o papel e a forma como esse plano reflectirá a sua personalidade. Creio que nesta acção cada formanda foi sabendo seleccionar a informação e as aplicações práticas que se adaptam a si e à sua realidade. A transversalidade dos níveis de ensino representados ajudou ao sucesso da acção, como já acontecera em Algés, no ano passado. Apesar das resistências que muitas professoras encontram, junto de colegas e representantes de departamento, para alterarem mentalidades, ficou claro que o treino das competências de leitura se aplica a todos os graus e anos, e que quer os objectivos específicos quer as actividades podem em regra ser as mesmas, desde que os materiais (leia-se textos) correspondam aos diversos graus de dificuldade. Se todas puserem em prática a estratégia de treinarem e desenvolverem competências e não conteúdos, é mais provável que os alunos atinjam os objectivos específicos que lhes assegurarão uma condição de literacia mediana. Espera-se igualmente que, de entre estes, haja cada vez mais bons leitores.
Finalmente, uma palavra de agradecimento ao grupo, que tão bem me acolheu e aceitou as minhas propostas, intervindo, questionando e obrigando-me a dar resposta às suas necessidades. Bom trabalho!

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Reflexões sobre literatura infantil

Está no Cadeirão Voltaire, desde 27 de Junho, um texto assinado por Pedro Moura que reflecte sobre a literatura infantil enquanto género. Para isso, enuncia os nexos principais da obra de Seth Lerer, Children's Literature. A Reader's History from Aesop to Harry Potter, relacionando-os com A Infância é um território desconhecido, de Helena Vasconcelos (Quetzal). Pedro Moura destaca, na obra do autor americano, a relevância do conceito de infância ao longo dos tempos para a composição dos textos de recepção infantil. Pelas suas palavras constatamos que a organização do volume obedece a regras cronológicas e a uma investigação criteriosa. Relativamente à autora portuguesa, o texto de Pedro Moura é mais crítico, apontando-lhe pouca reflexão e em alguns casos um excesso de assertividade nas afirmações que não é depois devidamente justificada. Polémicas à parte, esta análise volta a chamar a atenção para a legitimação da literatura de recepção infantil e para a necessidade de se fazer a sua história.
Contribui igualmente para problematizar questões no âmbito dos estudos literários. Deve o literário erigir-se sobre o conceito filosófico e sociológico de infância ao longo da História? Deve o literário depender da recepção, ou da intenção do autor? Aceitaremos designações como a de leitor modelo para definir um género?
Em suma, porque sentimos necessidade de encontrar os limites do infantil para ler o infantil?

Terça-feira, Julho 07, 2009

Leituras de pré-férias

Foi num dia de profunda má disposição que me predispus a ler Para Maiores de 16 de Ana Saldanha (Caminho). É raro estar uma tarde inteira no sofá, a ler um livro. Foi o caso. De tal forma me motivou que não conseguia parar.A História de um Rapaz Mau (Thomas Bailey Aldrich, Tinta-da-China) esteve na estante nos últimos seis meses, à espera de um tempinho entre os livros das comunidades e outras leituras mais urgentes. A sua leitura despertou ainda mais o meu interesse pelas Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain, que afirmou ter sido influenciado por esta obra.


Em comum as duas narrativas têm uma forte contextualização espacio-temporal que as torna referências do tempo em que são narradas. Os desafios e os sentimentos de quem cresce, os erros, as mágoas, em suma as experiências das personagens adolescentes são as características basilares destas obras, o esqueleto que faz delas romances ou novelas juvenis. De resto, nada mais as aproxima, tal é a diferença de registos e de temática. Dulce e Tom são pessoas do seu tempo e a história dela choca mais o leitor que a dele, diluída num período de tempo maior.
Literariamente são dois contributos muito válidos para a consolidação de um cânone juvenil, que urge valorizar. A sua leitura recomenda-se, não só a adolescentes, mas a adultos que gostem de literatura.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Novos livros na Lista do PNL

A lista dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura já foi actualizada, tal como tem sucedido em anos anteriores. Há novidades na organização: listas discrimidadas para crianças até 12 meses, entre 1 e 2 anos e entre 2 e 3. Os alunos que frequentam o secundário passam a estar contemplados. Quanto a editoras, a Planeta Tangerina conta com mais livros do que na lista anterior, mas lamenta-se a ausência da Bruaá e da Orfeu Negro, que em muito contribuiram para o alargamento das referências literárias de qualidade no que ao álbum para a infância diz respeito. Como sempre acontece, há escolhas questionáveis, mas a relevância desta lista é inequívoca para a divulgação dos livros junto dos mediadores de leitura. Por isso, cabe aos mesmos a responsabilidade de lerem os livros e escolherem de acordo com os seus próprios critérios literários.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

1º Encontro aLer+

aLer+ é um projecto que resulta da parceria entre o Plano Nacional de Leitura e a Rede de Bibliotecas Escolares. Hoje e amanhã realiza-se um Encontro, no CCB, em Lisboa, que juntará as equipas das escolas que aderiram à iniciativa.
«Pretende-se que este seja um momento significativo de visibilidade, de divulgação e de troca com os parceiros ingleses que também estarão presentes.
No dia 04 de Julho serão anunciadas as 30 escolas/agrupamentos que se irão juntar ao Projecto aLeR+, no ano lectivo 2009/2010.» pode ler-se na página da RBE, onde também é possível descarregar o pdf com o programa.

1º Salão Infanto-Juvenil em Gaia

Vila Nova de Gaia, no âmbito da sua programação enquanto Capital da Cultura 2009, organiza o seu primeiro Salão Infanto-Juvenil. Abriu hoje as portas e conta com diversas actividades até dia 5 de Julho. De destacar o debate sobre ilustração infantil amanhã, na Biblioteca Municipal (de que já demos conta no Bicho), e o destaque dado à literatura infantil e juvenil galega. O programa pode ser consultado aqui.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Anthony Browne por Anthony Browne

Via Beco das Imagens, aqui fica um link para um trabalho publicado no The Guardian que nos leva ao local de trabalho de Anthony Browne, ilustrador muito do agrado aqui do Bicho. Entrem por aqui ou por aqui.

Bibliotecas de Praia estão de volta

Com a abertura oficialíssima das férias, as Bibliotecas de Praia abrem portas ou intensificam a programação.
Aqui dá-se conta de onde poderá encontrar Bibliotecas de Praia no Concelho de Sesimbra, se decidir dar um mergulho por aquelas bandas.
Na página da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, a programação da Biblioteca de Praia de Santa Cruz oferece ao veraneante uma feira do livro, animação de rua, horas do conto ateliers de expressão plástica, espectáculos de teatro, e uma noite de astronomia. São três páginas com as diversas propostas e respectivas datas, durante o mês de Julho, por isso não desista na primeira.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Para registar antes das férias

Em Setembro, entre 17 e 18, a Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas, acolhe a conferência «Uma Árvore de Leituras - lançar sementes», que pretende reflectir sobre a literacia na primeira infância, dando para isso conta de comunicações e experiências no terreno com crianças e com as famílias.

A Biblioteca Municipal D. Dinis tem vindo, desde 2006, a desenvolver um trabalho de continuidade com famílias de crianças entre os 9 meses e os 3 anos, no âmbito do projecto da Casa da Leitura. Por isso, a conferência permitirá partilhar esta experiência, assim como outras que se têm realizado noutras bibliotecas do país. O contributo teórico não terá menor peso, debruçando-se sobre o pré-escolar, a importância da família, a leitura de imagens e a relação entre a palavra e a música.

Para que todos possamos acompanhar a preparação dos trabalhos, a conferência conta com um blogue próprio. Antes das férias, convém ir preparando a rentrée.