Quarta-feira, Maio 14, 2008

Escrita Criativa na Conceição e Silva

O atelier Que escrita é esta que não conheço foi uma novidade na EB 2/3 Comandante Conceição e Silva. Os felizardos foram os alunos do 6ºC, a única turma que tinha visitado no ano passado, com o Ver para Crer.
O grupo aderiu bastante bem às actividades propostas, dedicando-se afincadamente na produção de listas.
Quando chegou o momento final, o da produção de texto, escreveram descrições muito engraçadas, usando expressões e palavras anteriormente seleccionadas. A Dona Escrita agradece, esperamos todos!
A prof. Manuela Caeiro repetiu o atelier com a sua turma, o 6ºG, e dois dos textos produzidos já está no Nuvem alta.
O atelier é um pouco hermético, porque tem como principal objectivo fazer com que os alunos reflictam sobre o acto de escrever, e não sobre si próprios, como geralmente acontece. Esse será um segundo atelier, com o nome Esta escrita conhece-me. Para este primeiro atelier, estão reservados juízos de valor dos alunos acerca do que é escrever e da forma como escrevem, para terminarem então com um texto sobre a escrita, que pretende concluir a reflexão sobre o tema. Com o 6ºC funcionou, já que se mostraram dinâmicos e participativos.

Malasartes, finalmente!

Já a tenho! Desde 6ª feira que tenho tentado explorar a revista, ainda sem sucesso absoluto. Mas posso desde já avançar que o primeiro artigo, um estudo sobre a saga Harry Potter, me encheu as medidas ao ponto de desejar escrever assim (quando for grande)!
Há estudos, recensões de livros portugueses e galegos, e textos nas duas línguas. António Mota e Júlia Nery são os nomes para o perfil deste número. As praticas dedicam-se aos «passos e espaços para a formação de leitores», no jardim de infância e em família.
Ainda há muito para ler. E reler.
Certamente, a coleccionar.

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Livros novos no Ver para Crer

Uma das questões que sempre me coloco, com o passar do tempo, é se devo manter as mesmas listas de livros nos ateliers. Se no que respeita ao Experiências com Letras ou ao Um Livro à medida (que se dedicam a um único livro), procedemos a alterações em função dos públicos e das leituras que vamos fazendo, quando se trata do Ver para Crer ou do Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês, as dúvidas são maiores.
Devemos privilegiar os mesmos livros de modo a melhor reflectirmos acerca do sucesso ou insucesso dos ateliers? Devemos alterar as listas de livros para experimentarmos novos modelos?
Um dos nossos maiores receios é o de cedermos à tentação da novidade, não necessariamente a editorial, mas a das nossas últimas leituras. De qualquer forma, quando preparei o Ver para Crer, para levar à EB 2/3 Comandante Conceição e Silva, optei por levar três novos livros. Estava por um lado curiosa para saber qual o efeito que teriam junto dos alunos, e por outro, pensei que também poderia ser útil para a professora, para alargar o catáloga da BE/CRE.
Assim, para a turma do 5º ano, propus:
A malta do 2º C, Catarina da Fonseca, Caminho, por estar perto a transição para o 6º ano;
Mopsos, o pequeno Grego, Hélia Correia, Relógio d'Água, por poder agradar a alunos leitores que gostem de história e de mitologia, e creio ser importante abrir o leque temático a pequenos grupos.
Para a turma do 7ºB propus:
Sam e a maldição de sangue, Thomas Bloor, Publicações Europa-América, por ser uma leitura recente, por ter uma capa apelativa e por ser um livro menos linear o que aparenta.
Os livros tiveram sucesso, especialmente A malta do 2ºC e Sam e a maldição de sangue. A prof. Manuela Caeiro prometeu comprar os livros que a Biblioteca ainda não tem, e houve quem prometesse fazer fila à porta logo pela manhã de 2ª feira. OS alunos do 5º ano rumaram à Biblioteca logo após o atelier, e os primeiros ainda conseguiram levar um ou outro volume das Crónicas de Spiderwick. Para os alunos do 7º ano, a sua maior preocupação era o preço dos livros, porque estavam com vontade de os comprar.

Sábado, Maio 10, 2008

Arte da Leitura em Mafra



Hoje estaremos em Mafra com um mini curso Arte da Leitura de Pais para Filhos, apenas para pais, que terá duas sessões, a primeira logo mais à tarde, e a segunda no próximo sábado, dia 17 de Maio. Espera-se uma audiência bastante heterogénea.

Regresso à EB 2/3 Comandante Conceição e Silva

O regresso foi caloroso. Reencontrei a turma com quem tinha feito, no ano passado, o atelier Ver para Crer. Estão agora no 6º C. Ainda se lembravam dos livros propostos já que os tinham requisitado e lido no âmbito do contrato de leitura que a professora de português com eles estabeleceu, para as aulas de formação cívica.
Foram eles as cobaias do novo atelier de escrita criativa: "Que escrita é esta que não conheço?" cujo principal objectivo é dotar a escrita de uma dimensão orgânica, animista, e assim poder ser mais querida pelos alunos, enquanto exercício lúdico. Os alunos aderiram aos desafios e no final do atelier produziram textos interessantes, a partir da frase «A Dona Escrita é uma senhora...». Aguardo agora que a professora Manuela Caeiro os receba no blog da biblioteca escolar, para os dar a conhecer.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

Prémio Nacional de Ilustração 2007

O júri do Prémio Nacional de Ilustração já decidiu. E o Prémio vai para Cristina Valadas, pelo trabalho no livro O rapaz que sabia acordar a Primavera, com texto de Luísa Ducla Soares. São já também conhecidos os vencedores das Menções Honrosas, que acompanharão a vencedora do prémio à próxima edição da Feira do Livro Infantil de Bolonha.
A notícia completa pode ser lida aqui.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Os livros, os tops e a promoção

Estava a ler um dos últimos posts no blog da Pó dos Livros acerca dos tops e da sua viciação (ou não). É um facto que os escaparates, as montras, os destaques, todos os lugares em que as capas aparecem visíveis nas livrarias, são pagos. (É importante ressalvar que há livrarias pequenas que não vendem montras nem escaparates.) Por isso, esses livros vendem mais. Logo, condicionam os tops, já que as pessoas não escolhem aquele livro de entre um leque mais vasto mas apenas entre aqueles cuja imagem vem até si.
As Bibliotecas Municipais verificam que os livros que destacam são os mais requisitados, porque estão mais acessíveis para os leitores.
É um facto e deve ser aproveitado por aqueles que não precisam de (se) vender. Nas Bibliotecas Municipais, bem como nas Bibliotecas Escolares, pode haver critérios de qualidade e diversidade. É claro que as Bibliotecas confrontam-se com outra situação, mais nobre, no que respeita a estas cedências: têm de ser espaços democráticos com a principal função de criar e alimentar leitores. Alguns começam por se alimentar de tops e vão precisamente à sua procura. Se não os encontram, no imediato, não retornam, porque não têm hábitos de leitura nem de pesquisa.
Contudo, há ainda espaço para o desconhecido, e para o bom, e esse pequeno oásis não pode ser desperdiçado. Veja-se a qualidade gráfica de algumas editoras, como a Tinta da China. Atente-se na excelente tradução de autores de referência de países eslavos, bálticos, escandinavos, como a Cavalo de Ferro. Desafiem-se leitores com o catálogo político e provocador da Antígona. Admire-se a elegância na edição de poesia da Assírio e Alvim. Mas não se esqueçam os livros de bolso da colecção Biblioteca Independente (parceria Assírio e Alvim, Relógio d'Água, Cotovia). Há mais, muitas mais. Há mais mundo para além das capas com fotografias e tipos de letra desenhada, ou símbolos místicos e muitas páginas, no interior.
Há teatro, crónica, ensaio. Há os Clássicos. Há Banda Desenhada, ilustração. Há que pensar bem quando se fazem aquisições. Há que contrariar fenómenos. As regras do marketing são sempre as mesmas: adornar, criar expectativas, associar produtos a estatutos ou juízos afectivos. Basta usá-las contra a imediatez trucidante da arte, que caminha paralelamente, lentamente, e persiste, e recupera, sempre...
Como as lindas epopeias de Homero, cujas edições (Cotovia) me conquistam e reconquistam quando passo por elas, na minha estante.

Diz-me quem és em Alcobaça, balanço

O leitor marginalizado
Não há grandes novidades acerca dos ateliers Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês, da passada 3ª feira, em Alcobaça. O primeiro grupo era bastante homogéneo, reagiu bem às actividades e dividiu-se quanto às preferências. Nota-se, aliás, que quando há um número razoável de leitores no grupo as influências no que respeita a votação dos livros é menor. Houve quem não ficasse totalmente satisfeito com o seu perfil de leitor, por não se considerar tão ligado aos livros...
O grupo da tarde parecia menos interessado. Mas rapidamente se percebeu que tudo dependia de quatro rapazes que dominavam a restante turma, com comentários e uma postura de indiferença arrogante. Logo no início, apontaram um colega como o único qu gostava de ler, e como se isso fosse motivo de chacota. Assim estiveram até ao final do atelier, embora dois deles tivessem como resultado do questionário um perfil reticente e não desinteressado pela leitura.
Com o desenrolar do atelier a turma foi-se soltando, desinibindo e participando com interesse. Houve até duas raparigas que ficaram bastante entusiasmadas com Abadazad, tendo até escrito o título do livro na mão para não se esquecerem. Uma delas já tinha tentado começar a ler A Biblioteca Mágica, tendo reconhecido a capa de Abadazad por existir em sua casa - o livro era do irmão. Do outro lado da sala, igualmente distante dos líderes, um aluno interessou-se pelo Diário Secreto de Adrian Mole e por Abadazad. O Rapaz que chutava porcos continuou a suscitar bastante interesse. Quanto ao aluno marginalizado, confirmei a gravidade da situação com o professor. Os líderes são desportistas e bons alunos, curiosamente. O seu comportamento, aparentemente, corresponde mais ao de alunos fracos e desmotivados do que a alunos com médias de 5, como é o caso. Por isso, a sua atitude em relação à leitura tem uma conotação social mais do que uma incapacidade que obviamente não têm. Em compensação, o outro aluno tem um corpo franzino, mais infantil, é claramente mais frágil e sensível. Suporta a chacota para poder acompanhar a turma, mas não tem amigos. Esconde o prazer de ler e procura os professores para trocar impressões sobre livros. Não tem auto-confiança e mostra claras dificuldades de concentração, pelo que as suas notas são fracas.
É um dos casos claros de quão violenta pode ser a fase da adolescência, podendo marcar uma pessoa para sempre. Esta situação inverte a clássica associação entre leitura e sucesso escolar, e não é virgem. O que salva este adolescente são, apesar de tudo, os livros que devora, e que o transportam para outra dimensão, onde está em segurança. Pelo menos isso.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

Paragem forçada

Estou em falta. O trabalho tem sido algum, e assim continuará até meados do mês. Depois de Alcobaça foi a vez da comunidade, que já se aproxima do final. Em seguida a formação de professores, cuja última sessão será na 4ª feira. Sexta estarei em Almada, na EB 2/3 Comandante Conceição e Silva para mais três ateliers.
Antes, prometo fazer um balanço sério das sessões em Alcobaça, onde mais uma vez assisti à descriminação de um grupo relativamente a um aluno porque os seus hábitos e preferências são diferentes. Uma delas é a leitura...
Será nos próximos dias.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Diz-me quem és em Alcobaça

Hoje é a vez de Alcobaça receber o atelier Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês. Passadas as primeiras sessões, já me sinto à vontade em relação ao atelier, já está interiorizado. Agora faz dupla com o Ver para Crer como dois ateliers de promoção de livros.
O sucesso nunca é garantido, sabemo-lo. Mas as dúvidas dissiparam-se e cada atelier é agora um prazer, sem receios... É uma sensação muito boa.
Vamos lá ver se as duas turmas do 8º ano que me esperam vão sentir o mesmo...

Em busca da Malasartes

Hoje decidi ir à Fnac no Chiado, para finalmente comprar a revista Malasartes, pela qual anseio. Era o dia perfeito, porque tinha tempo, coisa que vai escassear a partir de amanhã, até ao fim de semana.

Qual não foi o meu espanto quando me disseram que não tinham recebido a revista, e tinham a indicação de que estava esgotada. Sugeriram-me procurar na Fnac do Colombo ou do Cascais Shopping, onde aparentemente ainda existiriam exemplares.
A frustração foi grande, é evidente. Felizmente, ainda há salvação nas pequenas livrarias. Soube que a Pó dos Livros a pediu, embora não saiba se ainda têm revistas em stock. No entanto, é certo que a poderei encomendar. Apesar da simpatia do funcionário da Fnac, a dimensão da livraria e a sua estratégia de vendas tem vindo a matar expectativas e tem muito provavelmente afastado públicos mais exigentes ou especializados. Parece até, pelos ecos que tenho tido, em conversas com amigos, que as pequenas livrarias regressam como pequenos oásis, onde se estabelecem relações de confiança e até cumplicidade com os livreiros.
Ainda bem que o próprio mercado reage contra as grandes e indiscriminadas concentrações. E se tempos houve em que a Fnac era esse magnânimo oásis, hoje regressamos aos espaços de intimidade. Dá que pensar...
Se tiver tempo, pode ser que ainda consiga a minha Malasartes amanhã, lá pelo finalzinho da tarde. Até lá, fica o blog da Pó dos Livros, muito recomendável...